Nossos ossos

Por: segunda-feira, agosto 24, 2015 0

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Autor: Marcelino Freire

Romance

2013

Páginas: 120

Editora Record

 

Romance vencedor do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Biblioteca Nacional em 2014, “Nossos ossos” é uma obra que incomoda o leitor, tirando-o da zona do conforto. É um debate sobre a vida contemporânea, o homossexualismo e a busca de sonhos.

Trata-se da história de Heleno, dramaturgo pernambucano que viaja até São Paulo, em busca de Carlos, com quem viveu um grande amor. Na cidade grande, Heleno se depara com inúmeras dificuldades, mas também descobrirá os prazeres sexuais que a cidade pode lhe oferecer – bares, garotos de programa e uma agitada vida noturna.

Parte importante da narrativa é a jornada de Heleno, pela estrada, carregando o cadáver de seu amante. Uma viagem inóspita com um surpreendente final. É também uma metáfora: carregamos “pesos mortos” conosco? Vivemos lembranças que já se passaram e que deveríamos ter deixado para trás?

Como é um romance curto, lê-lo em poucas horas é tarefa muito fácil. Nem se vê o tempo passar! O autor abusa da honestidade em todas as cenas sem se intimidar com os tabus, fazendo com que a história pareça real. Temas considerados polêmicos são abordados por Marcelino Freire com uma prosa poética e ritmada. Mas também frenética, que aguça sua curiosidade até o fim do livro.

 

Nossos Ossos 3

  Autor: Marcelino Freire Romance 2013 Páginas: 120 Editora Record   Romance vencedor do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Biblioteca Nacional em 2014, “Nossos ossos” é uma obra que incomoda o leitor, tirando-o da zona do conforto. É um debate sobre a vida contemporânea, o homossexualismo e a busca de sonhos. Trata-se da história Continue Reading

Até a última pétala cair

Por: quinta-feira, agosto 20, 2015 0

flores 2

No vaso, há quatrocentas e cinquenta e seis pétalas. Contei uma a uma.

De vez em quando, o vento entra muito forte pela janela e alguma delas cai sobre a mesa. É uma pétala a menos. Fico olhando este movimento, o de se desprender do caule e cair vagarosamente, sem ruído ou alarde. É como pluma. Já se foram tantas. Estão guardadas, secas dentro de livros, prestes a se tornarem quadros na parede. Nenhuma se perderá.

Já se passaram oito dias. Elas hão de resistir, coladas entre si como se fossem uma só no grande ramalhete. Talvez sobrevivam por mais tempo se plantadas na terra, agarradas com suas raízes mais firmes do que na água, presas em um laço de fita. Mas não vou mudá-las de lugar. Quero que tudo permaneça como ele deixou, apesar do maltrato desta seca sem nuvem nem sinal de garoa. 

Uma mosca pousa na flor azul e me assusta com seu zumbido. O que ela quer aqui? Fecho as janelas, tampo as fechaduras e também os buracos da casa. Se eu ficar sem ar, será culpa das flores que não são feitas de tecido e morrem muito rapidamente. Se as pétalas pudessem ser alinhavadas uma a uma… A natureza não se importaria com o tamanho do remendo, desde que bem feito (à mão ou na máquina de costura).

Respingo água nas folhas para tirar a poeira que vem do lado de fora enquanto penso: ele voltará antes de a última pétala se desprender? 

 

Imagem: Flowers in a Vase – Paulus Theodorus van Brussel, 1792 

 

flores 2

No vaso, há quatrocentas e cinquenta e seis pétalas. Contei uma a uma. De vez em quando, o vento entra muito forte pela janela e alguma delas cai sobre a mesa. É uma pétala a menos. Fico olhando este movimento, o de se desprender do caule e cair vagarosamente, sem ruído ou alarde. É como pluma. Continue Reading

26º concurso de contos Paulo Leminski

Por: segunda-feira, agosto 10, 2015 0

mulher lendo

 

Que tal mais uma oportunidade de apresentar o seu trabalho e ainda concorrer a prêmios em dinheiro?

O 26º concurso de contos Paulo Leminski é um evento literário  promovido e realizado em parceria entre UNIOESTE -Campus de Toledo e Prefeitura Municipal de Toledo, através da Biblioteca Pública Municipal. 

O Concurso se destina a todas as pessoas interessadas; e cada concorrente poderá participar com apenas um trabalho que ainda não tenha sido premiado em outro concurso ou já publicado em livros, coletâneas ou revistas. O tema é livre e a inscrição gratuita.

O conto deverá ser apresentado em 01 (uma) via, escrito em língua portuguesa ou espanhola, digitado em espaço 1,5(um e meio), com fonte Arial, tamanho 11 (onze), podendo ser impresso na frente e verso do papel – mas em sequência – e obedecer a um limite máximo de 20 páginas.

 

PREMIAÇÃO

     – Primeiro prêmio: R$ 2.500,00 (Dois mil e quinhentos reais);

    – Segundo prêmio: R$ 1.800,00 (Um mil e oitocentos reais);

    – Terceiro prêmio: R$ 1.500,00 (Um mil e quinhentos reais);

    – Melhor Conto Toledano: R$ 1.000,00 (Um mil reais).

 

CRONOGRAMA

Inscrição dos contos: de 30/04/2015 a 30/09/2015

Reunião Final da Comissão Julgadora: 21/10/2015

Cerimônia de Premiação: 06/11/2015

 

 

Veja o Edital completo AQUI!

 

Bom trabalho!

 

 * O PalavrasdeBandeja apenas divulga concursos literários, sem, contudo, participar da organização da evento.

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  Que tal mais uma oportunidade de apresentar o seu trabalho e ainda concorrer a prêmios em dinheiro? O 26º concurso de contos Paulo Leminski é um evento literário  promovido e realizado em parceria entre UNIOESTE -Campus de Toledo e Prefeitura Municipal de Toledo, através da Biblioteca Pública Municipal.  O Concurso se destina a todas as Continue Reading

Roupa com cicatriz

Por: quinta-feira, agosto 6, 2015 2

vestido cinza 2

 

Pego o vestido cinza-escuro e vejo a mancha de vinho tinto em sua borda, enquanto me lembro da festa de ontem. Os convidados, o bolo, os balões pendurados no teto e todos os feliz-aniversário, hoje-é-o-seu-dia, muitos-anos-de-vida. O brinde e o fim de tudo. Tudo mesmo. Coloco o vestido dentro do balde de água e sabão. Em alguns dias, poderei usá-lo novamente e tudo ficará bem, como se nada de ruim tivesse acontecido a ele nem a mim.

Hoje é um bom dia para lavar roupas (está seco em Brasília). Mergulho minhas mãos no balde e examino a mancha – ela ainda está lá, resistindo. Por que insiste em ficar, mesmo após tantas horas debaixo da espuma? Melhor não contar o tempo, os minutos, os segundos de espera. Em algum momento, a mancha vai desaparecer e então poderei colocar o vestido no varal, sob o sol, aguardando o cinza-escuro reaparecer.

Sopro as bolhas de sabão e as vejo flutuar até esbarrarem em algum móvel da casa. É quando estouram sem fazer barulho, delicadamente. Dentro delas, haverá um pouco de vinho tinto, de memória e de tristeza estourando tudo junto, sem deixar vestígios. Devem ser pesadas, mas parecem leves para quem as vê de longe, sem notar o que carregam.

Retiro o vestido do balde, ainda com a mancha (mais clara do que antes) e o penduro no varal. Logo estará seco e, mesmo com a mancha ainda visível, vou usá-lo. É a minha primeira roupa com cicatriz. Por que não exibi-la?

 

Imagem: Emerald City dress, de Janet Hill

 

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  Pego o vestido cinza-escuro e vejo a mancha de vinho tinto em sua borda, enquanto me lembro da festa de ontem. Os convidados, o bolo, os balões pendurados no teto e todos os feliz-aniversário, hoje-é-o-seu-dia, muitos-anos-de-vida. O brinde e o fim de tudo. Tudo mesmo. Coloco o vestido dentro do balde de água e Continue Reading