Mendiga

Por: quinta-feira, junho 23, 2016 0

lobo

 

Brasília parecia um labirinto sem saída, com gramados extensos e tão confusos como sua memória. Há quantos dias estava perdida procurando alguma porta mágica que lhe transportasse para as lembranças reais? Virou-se para o lobo-guará que ela carregava para todo lado e perguntou se ele estava com sede, e depois disse que compraria água para ambos porque andar debaixo do sol quente não estava sendo fácil para ninguém.

Subia o Eixo Monumental, ao lado dos carros que passavam com os para-brisas ligados. Uma garoa começava, bem fina mas constante. Ela jogou o rosto para trás, abriu a boca e foi sentindo a chuva que caía na sua língua devagar. Quando o sol que não havia se escondido brilhou mais forte, viu os raios refletidos nas gotas de chuva e um arco-íris brilhando em seus lábios. Está vendo isto, lobo? Este arco-íris não é um espetáculo?

À noite, debaixo céu do cerrado, fechou os olhos e dormiu como mendiga. Sonhou que flutuava sobre a cidade, observando os prédios, as janelas acesas e o reflexo da lua sobre o lago Paranoá. Sonhou que flores cresciam e se amontoavam na cabeça. Com os braços estendidos, voava entre  ipês e flamboyants, e depois aterrissava bem em cima da torre que tinha visto naquela manhã. Era ave num sonho, um pássaro raro de penas negras e esverdeadas.

 

* Esta é uma adaptação do conto “Mendiga”, disponível da Amazon. Para terminar de ler o conto,  clique AQUI!

 

Imagem: Marta Olowska

  Brasília parecia um labirinto sem saída, com gramados extensos e tão confusos como sua memória. Há quantos dias estava perdida procurando alguma porta mágica que lhe transportasse para as lembranças reais? Virou-se para o lobo-guará que ela carregava para todo lado e perguntou se ele estava com sede, e depois disse que compraria água Continue Reading

Passeio literário – Real Gabinete Portuguez de Leitura

Por: sexta-feira, junho 10, 2016 0

Muita gente vai ao Rio de Janeiro para conhecer as praias de Ipanema e Leblon, mas bem no centro da cidade também há uma beleza das grandes para ser contemplada: o Real Gabinete Portuguez de Literatura. Vale muito a pena a visita, pela surpreendente visão e acesso a obras raríssimas!

real gabinete

Real Gabinete Portuguez de Literatura Foto: Edu Mendes

Sua importância histórica está no fato de que as cinco primeiras sessões da Academia Brasileira de Letras (ABL) foram nele realizadas, com a presença de seu presidente, Machado de Assis. Grandes escritores da época como Olavo Bilac costumavam fazer leituras na biblioteca.

Além disso, o Real Gabinete Portuguez foi construído em estilo neomanuelino, e inaugurado pela Princesa Isabel em 1887. Hoje guarda cerca de 350.000 volumes de obras raras. Seguindo o exemplo dos “gabinetes de leitura” de raiz portuguesa e ainda na segunda metade do século XIX, surgiram, impulsionados pela maçonaria e pela república positivista, em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, instituições semelhantes que também eram denominadas “gabinetes de leitura” e que foram transformadas depois em bibliotecas municipais.

real gabinete 2

Real Gabinete Portuguez de Literatura – Claraboia e Lustre

Entre as obras raras do Real Gabinete, está um exemplar da edição princeps de “Os lusíadas”, de 1572. Também possui em seu espólio o manuscrito do Amor de Perdição, obra do escritor português Camilo Castelo Branco.

O Real Gabinete Português de Leitura fica na Rua Luis de Camões, número 30, no Centro do Rio de Janeiro.

Para provar que estive aqui! :)

 

Leia mais:

http://www.realgabinete.com.br/

Muita gente vai ao Rio de Janeiro para conhecer as praias de Ipanema e Leblon, mas bem no centro da cidade também há uma beleza das grandes para ser contemplada: o Real Gabinete Portuguez de Literatura. Vale muito a pena a visita, pela surpreendente visão e acesso a obras raríssimas! Sua importância histórica está no Continue Reading

A cor púrpura

Por: sexta-feira, junho 3, 2016 0

A cor purpura

Romance

Alice Walker

Editora José Olympio

10ª edição

2016

“A cor púrpura” é uma grande lição sobre auto-estima, liberdade e sororidade.

A história se passa na cidade de Geórgia, Estados Unidos, no início do século passado, e narra a vida de Celie, uma jovem negra, tímida e religiosa, de família muito pobre. Aos catorze anos, após ser violentada pelo pai, casa-se com “Sinhô” por imposição da família. Triste por ter que abandonar especialmente sua irmã Nettie, Celie se muda para a casa de seu marido, onde se torna mais escrava do que esposa.

O marido é violento e agride Celie com frequência. No entanto, ela segue resiliente, sem reclamar, como se a violência não despertasse nela nenhuma indignação, como se tivesse se acostumado à rotina de tristeza e de intermináveis obrigações domésticas. Mas o leitor sim, este é capaz de se revoltar em vários momentos em que Celie é humilhada e, invariavelmente, torce para que chegue logo o instante em que ela também se revolte e abandone a vida deprimente que leva.

Para diminuir a tristeza, Celie escreve cartas para Deus e para sua irmã Nettie, fazendo reflexões profundas sobre sua existência, de forma simples e genuína.

“Bom, tem vez que Sinhô_____me bate muito  mesmo. Eu tenho que me queixar ao Criador. Mas ele é meu marido. Eu deixo pra lá. Essa vida logo acaba, eu falo. O céu dura para sempre.”

A história começa a mudar de rumo quando “Sinhô” leva para casa a sua amante, Shug Avery, com a qual Celie constrói uma surpreendente amizade. Com Avery, Celie descobre sua auto-estima, transformando-se pouco a pouco numa mulher mais confiante para se ver livre das mãos do marido. Também com Sofia, nora do “Sinhô”, Celie aprende a ser mais corajosa, a refletir sobre a desobediência e o seu papel de esposa. A liberdade física e psicológica surge como consequência desta transformação,  possibilitando à Celie a escolha do seu próprio caminho.

filme a_cor_purpura

Filme “A cor púrpura”, dirigido por Steven Spielberg

A autora mostra os vários ângulos da opressão feita pelo racismo, colonialismo, religião e machismo. Por outro lado, Alice Walker  destaca a  sororidade (fraternidade entre as mulheres) como algo curador de várias mazelas sociais.

É um livro libertador. É um livro para se ter na cabeceira para sempre.

“Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara.”

 

cp 2

Romance Alice Walker Editora José Olympio 10ª edição 2016 “A cor púrpura” é uma grande lição sobre auto-estima, liberdade e sororidade. A história se passa na cidade de Geórgia, Estados Unidos, no início do século passado, e narra a vida de Celie, uma jovem negra, tímida e religiosa, de família muito pobre. Aos catorze anos, Continue Reading