A cor púrpura

Por: sexta-feira, junho 3, 2016 0

A cor purpura

Romance

Alice Walker

Editora José Olympio

10ª edição

2016

“A cor púrpura” é uma grande lição sobre auto-estima, liberdade e sororidade.

A história se passa na cidade de Geórgia, Estados Unidos, no início do século passado, e narra a vida de Celie, uma jovem negra, tímida e religiosa, de família muito pobre. Aos catorze anos, após ser violentada pelo pai, casa-se com “Sinhô” por imposição da família. Triste por ter que abandonar especialmente sua irmã Nettie, Celie se muda para a casa de seu marido, onde se torna mais escrava do que esposa.

O marido é violento e agride Celie com frequência. No entanto, ela segue resiliente, sem reclamar, como se a violência não despertasse nela nenhuma indignação, como se tivesse se acostumado à rotina de tristeza e de intermináveis obrigações domésticas. Mas o leitor sim, este é capaz de se revoltar em vários momentos em que Celie é humilhada e, invariavelmente, torce para que chegue logo o instante em que ela também se revolte e abandone a vida deprimente que leva.

Para diminuir a tristeza, Celie escreve cartas para Deus e para sua irmã Nettie, fazendo reflexões profundas sobre sua existência, de forma simples e genuína.

“Bom, tem vez que Sinhô_____me bate muito  mesmo. Eu tenho que me queixar ao Criador. Mas ele é meu marido. Eu deixo pra lá. Essa vida logo acaba, eu falo. O céu dura para sempre.”

A história começa a mudar de rumo quando “Sinhô” leva para casa a sua amante, Shug Avery, com a qual Celie constrói uma surpreendente amizade. Com Avery, Celie descobre sua auto-estima, transformando-se pouco a pouco numa mulher mais confiante para se ver livre das mãos do marido. Também com Sofia, nora do “Sinhô”, Celie aprende a ser mais corajosa, a refletir sobre a desobediência e o seu papel de esposa. A liberdade física e psicológica surge como consequência desta transformação,  possibilitando à Celie a escolha do seu próprio caminho.

filme a_cor_purpura

Filme “A cor púrpura”, dirigido por Steven Spielberg

A autora mostra os vários ângulos da opressão feita pelo racismo, colonialismo, religião e machismo. Por outro lado, Alice Walker  destaca a  sororidade (fraternidade entre as mulheres) como algo curador de várias mazelas sociais.

É um livro libertador. É um livro para se ter na cabeceira para sempre.

“Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara.”

 

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