Visita inesperada

Por: sexta-feira, novembro 11, 2016 0

et

Três dias em Petrópolis seriam o suficiente para respirar um pouco mais de ar puro e descansar. Na terça-feira, 8 de novembro, passei o dia na Le Siramat, uma pousada no alto  da serra, rodeada por árvores e com vista panorâmica para os morros mais distantes. A quarta amanheceu com sol, perfeito para dar uma volta no centro da cidade e visitar o Quitandinha e o Orquidário. Enquanto almoçava uma massa italiana no Luigi, soube pela televisão da vitória de Trump, das explosões na Síria e dos novos casos de corrupção no Brasil.

À noite, aproveitei a varanda da pousada para tomar um vinho e olhar a paisagem. Às três da manhã, todos os hóspedes já estavam dormindo e parecia que apenas eu não tinha me entregado ao sono. Olhava para Marte piscando no alto e imaginava quantos anos ainda seriam necessários para que os terráqueos conhecessem os marcianos.

Lá longe, entre os morros, vi uma estrela cadente. Duas, três, quatro. Começaram a surgir tantas luzes que comecei a tirar fotos com a câmera do celular. Elas se aproximaram da pousada ou a pousada se aproximou delas, não sei ao certo. Em poucos segundos, eu estava lá, entre os morros e as luzes girando em círculo, descendo aos poucos na mata.

Assustada, quebrei a taça de vinho na mão. Alguém se aproximou, com olhos grandes e pele esverdeada, tão clichê que achei que fosse um homem fantasiado. Quando ele falou sem abrir a boca e se comunicou comigo apenas pelo pensamento, comecei a acreditar no que via. Falou que era vizinho de uma galáxia próxima e que seu planeta estava preocupado. Achava, pelas notícias que captou a anos luz daqui, que a Terra estava de cabeça para baixo e que toda a humanidade havia se extinguido. Veio checar. Falei que era tudo verdade. O planeta estava de cabeça para baixo. Pedi ajuda e carona. Ele disse que não podia dar carona porque não era do tipo que fazia abdução.

Depois disso, só me lembro de amanhecer no dia seguinte com ressaca. No check-out, a nova empregada me advertiu dos perigos de quebrar uma taça de vinho na mão. Só me lembrei de que não havia comentado com ninguém sobre o incidente da taça quando eu já estava na rodovia, a caminho do Rio de Janeiro.

 

 Imagem: P. Baikal

Sem Comentários.

Comentar Post

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *